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As animações nos moldes fabulescos de animais antropomorfos voltou a moda depois do digníssimo Zootopia, e com isso outras produtoras de animação passaram a acompanhar a onda. A Illumination Entertainment antes tinha minha curiosidade depois de Pets – A Vida Secreta dos Bichos, mas depois de Sing – Quem Canta Seus Males Espanta eles tiveram minha atenção.

Com direção de Garth Jennings, acompanhamos a história de Buster Moon, o coala (Matthew  McConaughey), que ao ver seu teatro em total decadência de atrações e repleto de dívidas se põe a promover uma competição musical valendo um prêmio em dinheiro, e com isso somos apresentados a cinco outros personagens com vidas e propósitos diferentes para competir e mostrar seus talentos.

Essa é uma das maiores belezas de Sing: o foco por igual em todos os personagens apresentados logo no início do filme. Cada um possui um estilo musical diferente e com isso conseguem mostrar muita personalidade, além de cada um possuir suas próprias problemáticas com família, timidez ou falta de dinheiro para iniciar suas carreiras. Nenhum núcleo de personagem fica menos interessante que o outro, mantendo o nível de criatividade de se criar e evoluir cada um.

E já que estamos falando dos personagens, tanto o cast original quanto os dubladores da animação foram boníssimos em suas interpretações. Para termos Matthew McConaughey, Reese Witherspoon e Scarlett Johansson no elenco então já podemos esperar uma excelente atuação vocal. Enquanto isso, a dublagem brasileira também não deve em nada, empregando vozes de alguns cantores e cantoras consagrados para os personagens, como Wanessa Camargo e a própria Sandy – cantora que eu adoraria ver com mais frequência no ramo de dublagem por ter uma voz doce e perfeita para interpretar adolescentes.

Sing – Quem Canta Seus Males Espanta

O visual de Sing é de tirar o fôlego, já mostrando que a Illumination leva muito a sério o trabalho que faz. Já havia avaliado com boníssimas impressões a estética de Pets, mostrando a maturidade da produtora finalmente ganhando mais notoriedade com seus projetos, mas com Sing ela eleva seu patamar para um nível que eu não imaginaria encontrar em uma animação tão descompromissada como essa. Tanto o nível de fotografia quanto a qualidade de construção de cenários beira ao extremo realismo, possuindo algumas cenas que poderiam ser facilmente confundidas com fotografias de locações reais.

Não somente isso, mas a beleza gráfica dos personagens atinge sem esforços ao patamar Disney alcançado com Zootopia, conseguindo por muitas das vezes alcançar sutilezas de design de personagens que até hoje não havia visto, principalmente o design do gorila Johnny e da porca Rosita, não exagerando em suas formas e proporções e inovando com silhuetas elegantes.

Sing – Quem Canta Seus Males EspantaNão haveria de esquecer de elogiar as músicas que tocam durante o longa, escolhidas a dedo e que funcionam na maior parte das vezes em contar um pouco mais da história de cada personagem através das letras. Novamente bato palmas para a dublagem brasileira por não ter traduzido todas as músicas que os personagens cantam, mantendo as letras em inglês e somente traduzindo uma música em específico que certa personagem compõe, não modificando seu significado e ainda soando bem de acordo com os acordes originais, quase seguindo o padrão Disney de tradução de músicas. É o carro chefe da animação e agrada a todos os gostos, do pop ao rock.

O desenho só não inova em originalidade de roteiro, principalmente no meio para o final do filme. O roteiro segue um padrão hollywoodiano tão rodado que chega a ser previsível em diversas partes, além de certas tomadas de decisão de alguns personagens tornam o clímax um pouco travado e sem muita fluidez. Nada que estrague a experiência do filme, mas que deixa o filme engasgado em algumas partes.