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Durante a projeção do filme fiquei me perguntando quando é que iria aparecer o selo da Marvel Studios ou da DC Comics no filme. Olhei para trás e para os lados para ver se haviam colocado câmeras escondidas, mas nada também. Ouvia algumas risadas durante a sessão, mas tais risadas estavam longe de possuírem um tom de estarem acompanhando momentos engraçados do filme, mas sim em tom de deboche do mesmo. A todo momento pensei que todo o filme era uma pegadinha de mal gosto. Não sei o que os produtores tinham na cabeça, mas levar O Contador a sério é pedir demais.

Dirigido por Gavin O’Connor, vemos Ben Affleck interpretando um contador autista que possui clientes muito perigosos, e suas transações profissionais passam a entrar na mira do governo americano. Vendo que ele caiu em uma enrascada com seu último cliente, ele parte para uma busca incessante por vingança.

O Contador

A premissa do filme parece interessar, principalmente ao assistir os trailers, mas as promessas ficam para trás quando vemos uma história rasa e com péssima condução. A montagem do filme parece confusa e confunde ideias que poderiam ser administradas com mais leveza, além de amarrar certas cenas importantes com outras nem tão importantes assim, transformando o filme em um emaranhado de duas horas que poderia ser enxugado para uma hora e meia se certas subtramas fossem somente descartadas.

E por que que eu citei a Marvel/DC logo no início da crítica? Porque a trama contada em O Contador é tão absurda que lembra uma porção de filmes de super-herói já feitos para o cinema – e olhe que muitos filmes do gênero conseguem ter tramas mais verossímeis que O Contador.  Tudo por criarem um protagonista tão inatingível, física e psicologicamente, que nenhum obstáculo é páreo para impedi-lo.

O Contador

Ben Affleck interpreta um autista inexpressivo (como se autismo fosse sinônimo de inexpressividade), faixa preta em artes marciais e que possui um arsenal bélico beirando ao exagero, fazendo inveja até mesmo ao Justiceiro da Marvel. Tudo isso envolto em cenas de ação que, apesar de convencer, entram em colapso com a inexpressividade do personagem, que nem em momentos tensos e de dor ele é capaz de transparecer alguma emoção. Una isso com uma habilidade fantástica de fazer cálculos de cabeça e de fazer levantamentos de receita de quinze anos em poucas horas e pronto, criamos um novo super-herói destemido e sangue-frio.

Mas o mais risível não é nada disso, mas sim o clímax do filme. Transformando o filme de contabilidade para um filme de ação brega, as resoluções e reviravoltas criados para O Contador são tão risíveis e tão absurdas que a vontade de sair do cinema no meio da sessão foi grande. Ainda mais quando o filme resolve criar piadas no meio do terceiro ato que soam anticlimáticas o tempo todo. Só depois dessa parte é que entendi que as risadas que estavam dando não eram junto do Ben Affleck, mas dele.