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Sou um fã de animações em stop motion, mas por alguma maldição do destino pouco conhecida as animações da Laika Animation. A única que havia assistido (e que não havia interligado a animação com a produtora) era Coraline, que já havia gostado por ter lembrado muito a estética de Tim Burton. Também confesso que os trailers de Kubo e as Cordas Mágicas não haviam me impressionado. Havia um excesso de piadas nos trailers que me fizeram ir ao cinema com expectativas muito baixas. Porém, a recompensa de assistir essa animação nas telonas foi mais do que satisfatória: foi emocionante, divertida e excitante.

Dirigido por Travis Knight (que dirigiu todas as animações da Laika), conhecemos Kobu, um jovem com passado conturbado que durante do dia ganha uns trocados contando histórias com suas habilidades mágicas de fazer origamis tocando seu shamisen, e a noite cuida de sua mãe debilitada em uma caverna. Porém, forças sobrenaturais da lua começam a persegui-lo, e Kubo parte em uma aventura junto de uma macaca e um besouro samurai para salvar seu vilarejo e destruir as forças do mal.

A história, por mais previsível que ela seja em alguns momentos, consegue ter muitos elementos realçados por conta do storytelling que a animação se propõe a passar para o espectador, utilizando muitíssimo bem toda a linguagem da técnica do stop motion junto com a técnica do origami para criar todo um contexto artístico e estético de primeira categoria. A inteligência do filme é a de justamente conseguir unir essas duas técnicas e fazer com que você entenda a mentalidade do protagonista, além de entender todo o contexto da história sem ficar precisando se ater a diálogos expositivos demais.

E por falar em técnicas de animação, preciso bater palmas para a qualidade da animação que a produtora Laika desempenhou nesse longa-metragem. Há uma diferença descomunal de qualidade desde Coraline até Kubo, deixando a animação com movimentos fluidos, excelente fotografia e utilização muito diferenciada de texturas, muita das vezes conseguindo confundir o espectador se aquela animação é realmente um stop motion ou se é 3D. Claro que existe a aplicação de recursos em 3D para auxiliar na fluidez de vários elementos, mas o que mais predomina é a animação frame por frame de bonecos.

E algo que a animação resolve muito bem e que nenhuma outra animação em stop motion consegue realizar com competência são o desenvolvimento de fluidez de cenas de ação. Muitos stop motions por aí não conseguem exprimir agilidade e ritmo corretos para desempenhar lutas de corpo-a-corpo, e Kubo e as Cordas Mágicas faz um trabalho primoroso em realizar cenas de ação de tirar o fôlego, sempre mantendo a qualidade de fotografia e de iluminação.

Kubo e as Cordas Mágicas

O cast chamado para interpretar as vozes originais dos personagens, que mesmo sendo uma minoria oriental consegue exprimir uma qualidade artística fenomenal. São eles: Charlize Theron, Art Parkinson (Dracula Untold de 2014), Ralph Fiennes, Rooney Mara, George Takei e Matthew McConaughey. Infelizmente existem poucos cinemas brasileiros que exibem a versão legendada, mas nada que a versão em DVD/Blu-Ray não resolva. Não que a qualidade da dublagem esteja questionável, porém o gabarito das vozes originais nos força a querer conhecer o áudio original.

A única questão negativa do filme se situa um pouco no terceiro ato, na hora de explicar um pouco as motivações do vilão e até mesmo do próprio protagonista. As explicações são um pouco rasas e nebulosas, apelando um pouco mais para ação do que para algo mais justificado, transformando um pouco do segundo ato do filme em uma jornada um pouco sem sentido. Nada que estrague a qualidade do filme, porém fica inegável que os produtores não souberam amarrar direitos as pontas do enredo.

 

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