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Suspenses malconduzidos são difíceis de engolir. A maior parte dos “mistérios” propostos pelo filme são facilmente decifráveis e o espectador fica impaciente por vê-los acontecendo devagar, e quando acontecem é impossível não dizer um “dã-a!, já sabia!”. Junte isso com uma falta de criatividade em abordar o roteiro de uma maneira menos clichê e isso se torna cada vez mais presente, principalmente quando o espectador já possui uma vasta bagagem de filmes de suspense – tanto bons quanto ruins. Infelizmente, acontece as duas coisas em A Garota no Trem.

Dirigido por Tate Taylor (Histórias Cruzadas), conhecemos a história da Rachel (Emily Blunt), uma alcoólatra desempregada e divorciada que, durante suas viagens sem rumo de trem possui o passatempo de imaginar a história das pessoas que moram nos arredores dos trilhos, e uma pessoa em especial é uma mulher loira (Haley Bennett) que, até onde Rachel havia visto, possuía um casamento perfeito com seu marido (Luke Evans). Até que depois de uma noite alcoolizada, acorda ensanguentada em seu quarto e descobre que a tal loira havia desaparecido. Rumores apontam de que tenha sido ela a assassina, e o filme gira em torno dessa narrativa de procurar solucionar esse mistério.

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Desde os trailers eu já havia percebido que o filme seria preguiçoso. A condução da trama além de arrastada, demora a solucionar diversos dilemas que nós já havíamos pescado logo de início. Só por ser uma adaptação de um livro, o diretor tenta capturar o mesmo ritmo da literatura, mas fracassando absurdamente, nos dando um filme de quase duas horas que mais parece um filme de quatro. Seria perfeitamente compreensível se o filme sofresse um corte de uns vinte minutos de projeção.

E o que dizer sobre a protagonista, interpretada pela digníssima Emily Blunt? É uma atriz formidável, visto seu incrível desempenho em No Limite do Amanhã (2014) e Sicario (2015), porém todo o seu potencial é convertido para uma personagem monocórdia que não sabe fazer mais nada além de balbuciar suas falas e fazer cara de sofrida. São poucas as partes que salvam da personagem, soando a maioria das vezes sempre desinteressante e que nunca nos convida a conhecer sua história, ainda mais no início e no meio do filme.

A Garota no Trem

Mas apesar do fracasso da protagonista de ser um péssimo elo entre o espectador e o enredo, os personagens secundários convencem, principalmente pelo papel de Haley Bennett que a cada passo do filme vai incrementando cada vez mais camadas para sua personagem, tornando o filme mais instigante.

O terceiro ato, apesar de forçado em alguns pontos e transformando alguns personagens em vilões demoníacos sem muita necessidade, é a melhor parte do filme, salvando-o de ser um completo poço de desinteresse e sonolência. Certas cenas-chave do clímax compõem um esclarecimento da trama que convence e que deixa certas fraquezas da protagonista mais aceitáveis.

Mas logo após o desenlace das problemáticas do enredo, o filme volta a ser um sofrimento audiovisual, explanando o final da história sem propor muitos desfechos adequados e ainda caindo nos clichês de “agora me tornei uma pessoa melhor” ou “agora será diferente na minha vida”. Deprimente.