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Releituras de clássicos são sempre bem-vindas, ainda mais quando a equipe de produção entende no que está se metendo. Há nos clássicos um mix de qualidade e saudosismo que merece ser respeitado, e quando resolvem atualizar a história para nossa realidade cinematográfica, tanto com efeitos especiais de ponta como também um melhor refinamento de roteiro, podemos visualizar fracassos e vitórias sendo lançados nos cinemas. Mas para com a refilmagem de Sete Homens e Um Destino, cujo filme original completa 56 anos em 2016, só tenho vitórias para citar.

Dirigido por Antoine Fuqua, a história se passa no velho oeste, onde uma pequena cidade é dominada por um dono de terras autoritário que conquista a força tudo que quer. Tendo seu marido morto por ele, Emma Cullen (Haley Bennett) parte numa viagem a outras cidades para pedir ajuda, até que encontra Chris Olm (Denzel Washington), um homem da lei que utiliza suas habilidades como pistoleiro para capturar malfeitores. Sabendo que iria enfrentar um exército de homens treinados caso aceitasse tal empreitada, Chris começa a contratar uma série de personas com habilidades distintas (Chris Pratt, Ethan Hawke, Vincent D’Onofrio e grande elenco).

Sete Homens e Um Destino

Muitos roteiristas quando pegam trabalhos de releitura de filmes, não ousam muito de se diferenciar do roteiro original (como aconteceu com o reboot de Bravura Indômita, que tanto a versão mais recente quanto a original consegue ser boas por igual), porém o trabalho de Sete Homens e Um Destino foi mais ousado e bem-sucedido, mudando muitas características e estruturas de roteiro que couberam como uma luva nessa nova versão, atualizando e ao mesmo tempo mantendo muitos elementos do filme de 1960.

Uma das coisas que mais mudou no roteiro foi a construção de vários personagens, principalmente o personagem condutor da veia emocional da história e de todos os sete homens que compõem o nome do longa. O cast está mais variado e miscigenado, pegando cada qualidade de etnia e cultura e compondo um grupo de cowboys mais interessante e melhor entrosado que o filme de 1960.

Sete Homens e Um Destino

Colocar uma personagem feminina para engrenar a história e reunir os pistoleiros para um inimigo em comum foi de boníssimo tom, equilibrando a balança de um elenco que primeiramente era quase todo masculino, enquanto que a balança étnica é muito bem respeitada e ainda não soa forçada, fazendo um background histórico crível e que somente acrescenta aos personagens.

Denzel Washington, que estava um pouco esquecido e até mesmo acima do peso em alguns filmes recentes, volta a brilhar em Sete Homens e Um Destino, repaginando o personagem principal como uma junção do personagem original de Chris Adams junto com vários papéis que Clint Eastwood sempre se deu muito bem em filmes de faroeste, tudo isso com sua pitada única de interpretar e que sempre o consagrou como um excelente ator de filmes de ação policial.

Sete Homens e Um Destino

O resto do cast se encontra em excelente performance. Chris Pratt está no ramo que mais gosta de fazer, o de aventureiro com bons toques de humor e já mostrando seu alto potencial de se tornar o possível novo Indiana Jones (a indumentária e o seu jeito canastrão são inegavelmente inspirados em Harrison Ford). Ethan Hawke e Vincent D’Onofrio, ambos atores mais proeminentes em Hollywood também, fazem personagens interessantes e engraçados respectivamente, evoluindo durante a trama de forma bastante orgânica.

O filme é muito competente em recriar o velho oeste que sempre vimos em filmes dos anos 60 e 70, agora com toda uma roupagem mais realista e com muito mais laboratório com relação aos costumes, o figurino, a arquitetura e a toda a cultura do “bang bang”, reproduzindo muitas referências de outros filmes do gênero com uma cara mais atual, com muito mais qualidade de imagem e som. Todos os efeitos especiais e práticos foram muito bem executados, fazendo de Sete Homens e Um Destino um filme completamente honesto em retratar as aventuras e todas as cenas de ação dos personagens.

Algo a ser elogiado também é a trilha sonora e os efeitos sonoros, que não se acanham em fazer releituras de temas de faroeste ou de reproduzir os tradicionais ricochetes de balas aos serem disparadas. É muito gratificante vermos um filme que sabe para o que veio e não tenta reinventar a roda, mantendo todo aquele espírito do faroeste em sua música e seus efeitos sonoros potentes.

REVIEW GERAL
Roteiro:
Direção:
Elenco:
Trilha Sonora:
Fotografia:
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Designer, escritor, amante de paçoca e cinéfilo desde de que se entende por gente, além de possuir uma coleção generosa de DVDs e Blu-Rays de filmes e séries que são limpos e organizados religiosamente.