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A Disney sempre mostrou o quanto ela ama suas próprias produções, e a maior prova disso recentemente são as tentativas da produtora de repaginar seus próprios clássicos em filmes em Live Action, como Mogli, Cinderela e até mesmo Malévola. Muitas das vezes são filmes bem-sucedidos, outros nem tanto, e com Meu Amigo, o Dragão parece ter tido um pouco dos dois.

Dirigido por David Lowery, Meu Amigo, o Dragão conta a história de um garotinho chamado Pete, que após um acidente de carro culminando na morte de seus pais, acaba se perdendo na floresta e encontrando um dragão verde e simpático, fazendo amizade com ele logo de imediato. Seis anos depois, o garoto é encontrado por um guarda florestal (Bryce Dallas Howard), que acaba expondo para pessoas não tão boas o dragão que vivia escondido junto com ele.

Meu Amigo, o Dragão

Meu Amigo, o Dragão é mais uma refilmagem da Disney, sendo o original lançado em 1977, sendo mais um daqueles filmes que Walt Disney adorava realizar e que juntava atores reais com desenhos animados. Dessa vez, a refilmagem traz atores reais interagindo com uma computação gráfica bem executada, por mais que algumas vezes sempre soe um pouco falso.

O dragão verde foi remodelado e possui poucas semelhanças com o dragão feito em 1977, parecendo mais um cachorro grande e com asas de morcego do que um dragão propriamente dito, o que até mesmo facilita a empatia do público infantil para com o relacionamento da criança com o monstro.

Meu Amigo, o Dragão

O enredo do filme é convincente e deve agradar crianças em geral, sendo um ótimo filme para se passar nas “Sessões da Tarde” da vida. O filme sabe criar momentos tocantes sem se estender muito ao melodrama (a cena inicial é fascinante), ao mesmo tempo em que há sempre momentos divertidos e casuais, principalmente quando o dragão interage com a floresta com o seu modo doce e inocente.

Já os atores se tornam uma faca de dois gumes com relação a qualidade de atuação. O ator mirim Oakes Fegley (Pete) junto com o veterano Robert Redford são os que mais brilham, atuando de um jeito direto e sem rodeios, principalmente o garoto, sendo uma grande revelação de 2016.

Meu Amigo, o Dragão

Porém, Bryce Dallas e Karl Urban decepcionam. É difícil conhecer algum trabalho decente de Bryce Dallas, soando monocórdia em seus papéis o tempo todo e nunca esboçando nenhum outro semblante além do que sabe fazer, como se fosse uma boneca de porcelana. Já Karl Urban interpreta o personagem mais inexpressivo de sua carreira desde sua participação em Doom – A Porta do Inferno (2005), transformando-se sem muito propósito no vilão do filme e caindo num poço sem fundo onde seu personagem torna-se raso e piegas.

E é uma pena do filme se manter tanto nos padrões de filmes de “Sessão da Tarde” que chega um momento em que você já espera que não irá acontecer nada de novo. Toda a estrutura de roteiro já está mais do que batida, sendo previsível e clichê muitas das vezes. O terceiro ato do filme até tenta soar diferente, mas falha absurdamente.