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Não há muito o que ser discutido quanto o assunto é terror. O que pode ser aterrorizante para mim pode não ser aterrorizante para você, mas uma coisa é clara em qualquer bom filme de terror: ele precisa saber dosar muito bem toda a tensão, suspense e os sustos de forma a conduzir o espectador sempre para uma sensação de claustrofobia, como se fosse proibido respirar em meio ao cinema de tão aterrorizante as cenas passadas no telão. Filmes bons de terror fazem isso com perfeição, e Bruxa de Blair está mais para aquele coleguinha de classe deslocado que fica admirando os outros colegas mais populares, mas que não consegue ter um terço do carisma dos mesmos e por isso é sempre tocado para escanteio nas conversas.

Dirigido por Adam Wingard, esse novo Bruxa de Blair procura ser uma continuação do filme de 1999, buscando o mesmo estilo found footage (que é o estilo de terror/suspense mais tendência atualmente, como se fosse a emulação de um vídeo caseiro real) mais moderno, utilizando mais aparatos tecnológicos para filmar os acontecimentos no meio da floresta. Mais uma vez nos envolvemos em um grupo de jovens que, empenhados de encontrar a casa cuja irmã mais velha de um dos integrantes se perdeu no primeiro filme, acabam em um desastre sobrenatural e macabro onde, um por um, são engalfinhados pela teia da bruxa.

A única beneficie do filme é a de atualizar a história da maneira como vivemos hoje, transformando toda a “gravação caseira” dos jovens em algo melhor produzido por conta da qualidade e da quantidade das câmeras utilizadas pelos mesmos para filmar possíveis atividades estranhas no meio da floresta. Chegam a utilizar até mesmo um drone voador para inspecionar a floresta (mesmo sendo muito mal utilizado pelos jovens, ele dá uns cinco minutos de takes interessantes).

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Mas infelizmente, o filme fica só por isso mesmo. A quantidade de câmeras utilizadas pelos personagens produz uma série de cortes e planos de câmera que perdem toda a sensação de que o filme é uma produção caseira, ou cria-se a ilusão de que algum cineasta de mal gosto pegou todas as gravações feitas e criou um compilado das melhores partes, dirigindo com maestria um filme que deveria nos dar a ilusão de que não fora planejado em hipótese alguma (afinal, deveria parecer ser um vídeo caseiro, certo?).

O nível de atuação e de roteiro é o mais feijão com arroz que poderia ser feito para um filme de terror, mantendo os mesmos estereótipos de personagens que compõem tramas de suspense (o personagem cético, o personagem que acredita em todos os mitos, a estranha de cabelo pintado que gosta de coisas místicas, etc), enquanto que os diálogos, rasos e banais, são logo substituídos por sustos desnecessários e gritos irritantes. O filme perde-se em todos esses sustos e gritos que não dão o menor susto no espectador e para de se importar de recriar toda a mitologia da Bruxa de Blair, se tornando um filme com mais jump scares gratuitos do ano.

O jeito que o filme é filmado também é pobre e sem criatividade, utilizando a câmera tremida como uma muleta durante todo o filme, transformando 80% do longa em um grandioso borrão de movimento frenético em que não conseguimos nem entender quais os motivos dos personagens estarem correndo. É mais provável que os personagens estivessem alucinados por algum cogumelo da floresta do que estarem correndo de alguma bruxa de verdade.

A trilha sonora é inexistente, o que é até compreensível visto o fato do filme ser do estilo found footage, focando mais nos efeitos sonoros. Porém os efeitos sonoros também fazem um seu feijão com arroz comum e sem gosto, focando sempre em efeitos sonoros previsíveis que só estão ali para nos dar sustos. Risadas e murmúrios diabólicos de bruxa? Esqueça, o filme foca mais em sons monstruosos que não possuem nenhuma interligação intrínseca com a bruxaria.

REVIEW GERAL
Roteiro:
Direção:
Elenco:
Trilha Sonora:
Fotografia:
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Designer, escritor, amante de paçoca e cinéfilo desde de que se entende por gente, além de possuir uma coleção generosa de DVDs e Blu-Rays de filmes e séries que são limpos e organizados religiosamente.